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Acesso ao Canabidiol pelo SUS: Entenda como Obter este Medicamento

abril 14, 2024 · 4 min de leitura

O canabidiol (CBD) é um dos compostos ativos da planta de cannabis, e vem ganhando espaço no tratamento de condições neurológicas específicas. O acesso gratuito pelo SUS existe, mas é mais restrito do que muita gente imagina — e entender a diferença entre o que está no protocolo oficial e o que exige via judicial evita perda de tempo e falsas expectativas.

O que é o canabidiol (CBD)

O canabidiol é um dos mais de 100 compostos conhecidos como canabinoides, encontrados na planta de Cannabis sativa. Diferente do tetrahidrocanabinol (THC), o principal composto psicoativo da maconha, o CBD não tem propriedades psicoativas. Ele vem sendo estudado por suas possíveis aplicações terapêuticas, principalmente em quadros de epilepsia refratária.

Quem tem direito pelo protocolo oficial

O fornecimento gratuito de canabidiol pelo SUS, através de protocolos clínicos específicos (implementados de forma própria por diversos estados), é destinado especificamente a pacientes com:

  • Síndrome de Dravet
  • Síndrome de Lennox-Gastaut
  • Complexo de esclerose tuberosa

Em todos os casos, exige-se refratariedade comprovada — ou seja, persistência de crises convulsivas frequentes (em geral, quatro ou mais por mês) mesmo com o uso de duas ou mais medicações antiepilépticas em posologia adequada, por período mínimo de acompanhamento (normalmente três meses).

Importante: esse protocolo específico não cobre, por si só, esclerose múltipla, doença de Parkinson, transtorno do espectro autista ou outras condições — mesmo que existam estudos e relatos sobre uso terapêutico de CBD nessas condições, elas não estão automaticamente contempladas nos critérios administrativos de fornecimento gratuito.

E quem não se enquadra nesses critérios? A via judicial

É aqui que entra a atuação jurídica mais relevante nesse tema. Quando o paciente tem indicação médica para uso de canabidiol, mas não se enquadra nos critérios estritos do protocolo (seja por ter outra condição, seja por não atender a algum requisito específico), a via costuma ser a ação judicial de obrigação de fazer, com pedido de tutela de urgência para garantir o fornecimento enquanto o processo tramita.

O STF, ao julgar o RE 1165959 (Tema 1234), fixou que, em caráter excepcional, o fornecimento de medicamento sem registro pleno na Anvisa (mas com importação autorizada, como é o caso de diversos produtos de CBD) pode ser determinado judicialmente quando três requisitos cumulativos estão presentes:

  1. Incapacidade financeira do paciente para arcar com o custo do tratamento;
  2. Imprescindibilidade clínica do medicamento para aquele caso específico, comprovada por laudo médico;
  3. Impossibilidade de substituição por outro medicamento já disponível nas listas e protocolos do SUS.

A ausência de qualquer um desses três requisitos pode levar à improcedência do pedido — não é uma lista de sugestões, e sim exigências cumulativas.

Um ponto de atenção sobre o laudo médico

Laudos emitidos por médicos que também comercializam ou indicam a compra do produto de CBD costumam ser questionados judicialmente por conflito de interesse, o que pode enfraquecer o pedido. Vale priorizar laudos de médicos assistentes sem vínculo comercial com a venda do produto, com relatório detalhado do quadro clínico, tratamentos já tentados e justificativa da imprescindibilidade.

Passo a passo para solicitar pelo protocolo oficial (quando há enquadramento)

  1. Procure um médico especialista (neurologista ou neurologista pediátrico) para diagnóstico e comprovação da síndrome específica;
  2. Reúna exames que comprovem a refratariedade ao tratamento convencional (histórico de crises, medicações já utilizadas);
  3. Solicite a prescrição e o encaminhamento ao componente especializado de assistência farmacêutica do seu estado;
  4. Acompanhe o processo junto à Secretaria de Saúde estadual, já que os protocolos e o fluxo de solicitação variam conforme o estado.

O que fazer se não há enquadramento no protocolo, mas há indicação médica

  1. Reúna laudo médico detalhado comprovando a imprescindibilidade clínica do CBD para o caso específico;
  2. Documente a impossibilidade de substituição por outro medicamento disponível no SUS;
  3. Comprove a incapacidade financeira para custear o tratamento por conta própria;
  4. Busque orientação jurídica para avaliar a viabilidade de ação judicial com pedido de tutela de urgência.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a análise individual de cada caso, que depende do diagnóstico específico, do protocolo vigente no estado do paciente e da documentação médica disponível.

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